“Meus livros não ficam à vontade em livrarias, mas uns poucos dentre eles, por força de seus conteúdos e referências, poderão até virar sucessos editoriais futuros”.

Tavinho Paes estreou em livro no início dos anos setenta, quando as editoras privilegiavam o romance político e outros escritos pragmatizados pelo combate direto à ditadura ou capazes de proporcionar um bom retorno financeiro. Espírito livre, o poeta teve como opção a mesma de Chacal e outros contemporâneos: o mimeógrafo.

Desde então, a situação mudou bastante, possibilitandoDesde então, a situação mudou bastante, possibilitandoque muitos sobreviventes da guerrilha ou do desbunde conquistassemespaço no poder ou no mercado. Diferentemente dessas trajetórias,a de Tavinho é marcada por uma fidelidade à inquietaçãoque o torna refratário a enquadramentos, além de presença dasmais performáticas nos saraus do Rio.

Intensa, sua produção em versos se expandiu para a letraIntensa, sua produção em versos se expandiu para a letrade música, resultando em mais de duzentas composições em parceriacom Caetano Veloso, Lobão e outros. Seu trabalho com essegênero eminentemente brasileiro que é a marchinha carnavalescatambém mereceu o livro Os momossexuais (2010). O mesmo esforçode organizar a obra do autor levou ainda à publicação de Buzinaínaïf (2008), com seus poemas mais recentes.

Na entrevista abaixo, concedida por e-mail a Victor PaesNa entrevista abaixo, concedida por e-mail a Victor Paes(graduado em Letras pela UFRJ), Tavinho fala da experiência deconfeccionar livrinhos de poemas vendidos depois nas ruas, conta várias histórias hilárias e, com a dicção pop de sempre, tece comentáriosvárias histórias hilárias e, com a dicção pop de sempre, tece comentárioscáusticos sobre alguns aspectos da atualidade. Ao final, ofereceo link para uma performance ultrapolifônica em parceria como músico Arnaldo Brandão.

Em agosto de 1980 você foi entrevistado por Silvia Knoller e a primeirapergunta foi a seguinte: “Antes de falar do Tavinho-Poeta, você poderiafalar sobre o Tavinho-Pessoa, no sentido de como você se coloca nomundo?”. Você deu uma resposta bastante psicodélica, dizendo, entreoutras coisas, que não era Fernando Pessoa e não conseguia fazer essaseparação. E hoje, trinta anos depois, já há algum transtorno poéticoque lhe permita isso, ou o personagem continua sendo um só?

Hoje não existe mais nem uma pessoa nem outra – nem as duasfundiram-se numa terceira. Com 55 anos acumulando vivências,meu HD não desfragmenta mais. O que posso dizer a respeito éque, hoje, mesmo quando estou doando meu tempo aos projetossociais que faço por questão espiritual, sei que o barato do artistaé fazer arte, o resto é excesso, ideologia e vaidade. O que para mimestá bem claro é que o futuro não repete o passado, como Cazuzaprevia, mas depende em parte do que fazemos no passado. Sófazemos as coisas em tempo real, no presente, e independente dasnossas expectativas ou mágoas. O que você é hoje há de refletir noque você será amanhã, sendo o que você foi e o que você acha que é,sem ter sido o que você quis ser e sem prescindir do que você deixoude ser. O personagem que vivo em tempo real é um; como os outroso compreendem e assimilam são outros... outros quinhentos.

Não sou de ter ressentimentos, mas, em tempos em que te sacaneiam e você tem que deixar pra lá, tenho inimigos que fiz questão de criare você tem que deixar pra lá, tenho inimigos que fiz questão de criare manter a distância por uma questão de ética. Paz não faz parte dosmeus motivos funcionais e felicidade não está dentro das minhasprioridades sensoriais. Não tenho saco para puxa-saco. Lido comdesdém para com a fama de ser maluco, underground, marginal eoutros adjetivos caretas e provincianos que me impuseram e quesuperam o que posso pensar sobre mim mesmo. Tenho receio devirar uma lenda biruta na mão de um biógrafo cretino, posto queminha trajetória não é nada convencional e as aventuras que vivi(e das quais sobrevivi por pura teimosia) são quase cinematográficas,como o caso real e sobrenatural, vivido em Aracaju (SE), no verão de1980, da Limusine do Diabo.

 (curta inspirado na aventura de Tavinho)LIMOUSINE DO DIABO: c/ Karla Sabah

O poeta que sou continua tendo uma estética metacrítica norteandosuas peripatéticas alusões mundanas, embora só eu mesmo saiba(e só a mim interesse saber) que vivi na carne e no espírito, emtempo real, a grande maioria dos poemas que escrevi. Talvez nuncatenha escrito um livro que não seja um manual sobre o que desejeiser, embora nunca tenha tido nenhum controle sobre este desejo.Cá entre nós, apesar da boa vontade dos amigos, não sou um bomexemplo a ser seguido.

Minha vida é a minha poesia desde a juventude e ela sempreesteve preocupada em estar conectada à cultura e à história quea inspiraram. Se essa poesia interessar a alguém, esse alguém temque compreender que a vida da qual cada poema foi decalcado só amim compete. O que sobra deve interessar apenas pelas ideias queum poema produz e que nem sempre resistem ao tempo. Quando minha vida acabar, não quero levá-la comigo e largo por aí osminha vida acabar, não quero levá-la comigo e largo por aí ospoemas que ela me deu...

Um de seus grandes tesões é o livro-objeto. Da forma mais tradicional dolivro ao livro usado como arma, nos fale dessa sua relação física com ele.

É e continua sendo. Já fiz livro que vinha dentro de caixa de fósforo;divulgado em mídias complexas como a do CD-ROM, do DVD e,agora, a do audiocardbook, que me deixa diante de um experimentoformal cheio de novas possibilidades.

Quando comecei a editar livros panfletários em mimeógrafo (meuprimeiro panfleto, A tulipa negra, é de 1972, sobre o sequestroda Mônica Tolipan, recolhida pelo pessoal do DOPS), havia a talda ditadura militar. Não havia cidadania plena e o conceito deliberdade tinha valores revolucionários em sua base holística. Haviacensura (que eu driblava, mas não ignorava) e represálias pesadaspara quem não usasse os antolhos recomendados pela Lei – essesque os canais de TV Aberta (atendem a mais de 66% da população)distribuem pelo país em forma de novela e em grades de televisãoque equilibram jornalismo mundo cão com o mote epistolar doSó Jesus salva e é fiel. À época, alguém trabalhar na Globo não faziaa menor diferença. Ninguém se deixava fotografar, com medo deestar sendo vigiado; logo, não havia o culto às celebridades e acoluna social era escrita pelo Ibrahim Sued.

Nessa época efêmera, minhas referências vinham exclusivamentedas artes plásticas, basicamente internacionais, então influenciadaspela arte conceitual e suas múltiplas vertentes (os conceitos deinstalação, performance, teatro físico, interferências e outros já meeram familiares). O acesso a essa informação privilegiada foi-me dado por Paulo Herkenhoff e seus amigos Fernando Cochiarale edado por Paulo Herkenhoff e seus amigos Fernando Cochiarale eLygia Pape. Eu, entre 18 e 21 anos de idade, tinha especial atraçãopelas loucuras realizadas por um cara chamado Chris Burden. Sairàs ruas vendendo envelopes com panfletos mimeografados causavamea sensação de estar vivenciando perigos que faziam parte domeu tempo, confrontando situações que atordoavam a minhajuventude com uma coragem diferente daquela dos que escolherama luta armada e a subversão das utopias socialistas – essas utopiasque passaram a ser quase criminalizadas pelo neoliberalismo. Antesde ser uma arma, considerava meus frágeis livretos passaportes deum imaginário “país das liberdades mínimas”. Com eles nas mãos,aproximava-me de quem não conhecia em qualquer lugar e travavarelações que não eram previsíveis nem seguras. Houve uma épocaem que os considerei moeda corrente daquele “país utópico” que eucambiava nas ruas, dividindo um mercado turco com vendedoresde bilhetes de loteria, amendoim torrado, crianças com chicletes,traficantes de maconha e outros caçadores de esmolas.

Não me preocupava com a literatura nem com a poesia, coisasa que só passei a dar atenção depois que li Ezra Pound (o ABC)e mergulhei em clássicos como Manuel Bandeira e Drummond(no fim dos anos setenta). Entre 74 (depois da ExPOESIA, naPUC) e 77 (quando tive que fugir com a roupa do corpo, de carona,para a Bahia, por conta daquela performance no Municipal –Peru de fora dá palpite, os dezesseis títulos publicados e distribuídosmano a mano (em filas de teatro, bares, boates, escolas desamba, pátios de universidades etc.) eram peças que teoricamenteintermediavam minhas relações sociais numa sociedadecheia de contradições ideológicas e perigos políticos. Trabalhavaesses livros como um escultor numa pedra: o Hambúrguer de coração (1975), por exemplo, tinha cada página trabalhada(1975), por exemplo, tinha cada página trabalhada(dentadas, beijos com batom, peças coladas com durex, folhasamassadas e desamassadas etc.). O Netuno afogado (1978) erampoemas amassados em bolinhas de papel e vendidos num envelopeplástico, como se fossem balas. Em Cat-xupe (1977), recicleio verso de panfletos convocatórios para uma passeata em prolda anistia assinado por Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela etc.Até hoje guardo com carinho esse ponto-de-vista sobre os livrosque continuo produzindo, publicando e distribuindo de formaabsolutamente independente.

Meus livros não ficam à vontade em livrarias, mas uns poucosdentre eles, por força de seus conteúdos e referências, poderãoaté virar sucessos editoriais futuros. Se eu escrevesse algumasdas histórias que vivenciei nesse mercado informal e como algunsdesses livros foram produzidos, acho que despertaria interesse.Afinal, biografia, dossiê secreto com fofoca na massa do bolo, aocontrário de poesia, segundo especialistas, vende; especialmente sea patifaria for escandalosa...

Você me mostrou um livro-objeto feito na década de setenta, duranteo evento Artimanhas em Geral, por você e uma galera, com recortes dejornal e outras psicodelias. Nessa galera estava inclusive o pessoal doNuvem Cigana, se bem você se lembra... Fale sobre o evento, esse livro edo delírio que eram os encontros nessa época.

Foi um livro-objeto coletivo e anônimo, feito numa festa que podeser chamada de “uma ousadia e tanto”. Muito mais divertida doque essas raves com música de realejo eletrônico, que não passamde treinamento para as quarentenas adequadas às pandemias que estão por vir. Nada de flyer, nada de cartaz. Release? Nem pensar!estão por vir. Nada de flyer, nada de cartaz. Release? Nem pensar!Só boca a boca e com restrições para não vazar e virar um sucesso,atraindo jornais e, o pior: a polícia!

Aconteceu em outubro de 1975 (Chacal lançou um livro sobre isso:Uma história à margem), num shopping em Ipanema, na livrariaMuro (do Rui Campos, atual dono da Travessa), que era um dospoucos lugares em que se podia comprar livros (em espanhol, nomáximo) que tratassem do marxismo sem a perfumaria francesado estruturalismo. Foi um grande encontro das turmas que faziamarte e poesia naqueles tempos bicudos.

A principal diferença daqueles grupos para os atuais é que a voz/palavra feminina era minoria. Era clube do bolinha mesmo. As musasainda não tinham respondido às serenatas de seus admiradores eo feminismo era ideológico, isto é, ainda não se assistia à frigidezemancipada de Sex and the City.

Meu grupo (à época, chamávamos de Poema-Terror) apresentouum poema sonoro à la Raoul Hausmann em que, num coral decinco pessoas, cada uma repetia insistentemente apenas o som dosfonemas da palavra “ordem”. Isso dava apoio sonoro de fundo auma performance de poemas variados, lidos aos fragmentos e aoacaso, por mim e pelos poetas Demétrio de Oliveira Gomes (DOG –esse é um mistério: nem no Google se acha nada sobre o cara) eo lendário Torquato de Mendonça. Paralelo a isso, numa bancadaimprovisada, deixamos um caderno de capa dura perto de tesouras,jornais antigos, revistas de palavras-cruzadas e outras baboseiras,para que os presentes, quais crianças num jardim de infância,montassem seus poemas visuais com recortes e colagens. Foramdois cadernos. Um se perdeu (deve estar nos baús do Demétrio,se é que a família os preservou – há até um 16mm feito no local, com a montadora de cinema Marta Luz, lindinha, aos 20 anos);com a montadora de cinema Marta Luz, lindinha, aos 20 anos);o outro ainda existe, é plasticamente de uma atualidade espantosae contém páginas de colagens feitas por poetas como Waly Salomãoe bricolagens do genial Lennie Dale.

Conte como foi que conheceu o mimeógrafo.

A história do mimeógrafo é longa e curiosa. Aconteceu em 1972,na PUC, no Diretório de Engenharia. A geringonça me interessouporque foi inventada por nada mais nada menos do que o rei daspatentes: Mr. Thomas Edison!Uma noite, depois de muito brigar com o stencil alemão da Gestetner(película negativa de impressão), rodei meu primeiro panfletinho(A tulipa negra – não confundir com a história homônima deAlexandre Dumas) e saí vendendo pelos pilotis da universidade.Claro que escolhi as garotas mais bonitas para oferecer o buquê e,por consequência, o fracasso foi retumbante...

O sucesso (se é que se pode chamar assim o que de fato aconteceu)só surgiu junto aos barbudinhos dos diretórios, todos simpatizantesdo comunismo e do socialismo, ambos ainda utópicose teoricamente revolucionários. Tanto que me convocaram parauma reunião no dia seguinte. Cheguei na hora e entrei na sala enfumaçada(fumar ainda não era uma desgraça), para mais uma reuniãosecreta dos rebeldes libertários. Achei que iam me elogiar.Enganei-me: tomei um esporro tremendo por ter usado materialdo diretório e ter exposto a todos que havia uma máquina comoaquela nos diretórios (tiveram que escondê-la em outro lugarpara evitar um possível flagrante). Além disso, falaram muito mal (mas muito mal mesmo) do meu poema e houve até quem me(mas muito mal mesmo) do meu poema e houve até quem merecomendasse ler György Lukács!

O que é o Audiocardbook que você está lançando? Descreva seu caminhoaté ele, partindo do mimeógrafo e passando pela máquina Xerox.

O Audiocardbook Mobile Ping Pong é, sem falsa modéstia, algo100% original e sem referências em nenhum lugar do planeta –apesar deste pioneirismo não servir para literalmente nada.É um cartão fino e leve, bom de circular de mão em mão, comoeram meus livretinhos de Xerox dos anos 70/80. Traz no versouma raspadinha semelhante à de recarga em celulares. Você raspae aparece um código de dezesseis números. Você entra no sitewww.coolnex.com.br/pingpong e baixa os oito audiopoemas querealizei com Betina Kopp no outono de 2009 (foram vários experimentose muito material).

Se o formato do veículo (a mídia) é uma interface interessante emoderna, o conteúdo dos poemas não fica atrás. A maneira como sãoditos e como foram envelopados pela música incidental do ArnaldoBrandão – que remixei, apesar de não saber mexer no proTools efazer tudo na base da experimentação, tentativa e erro – vale umelogio. A ideia do pingue-pongue tem a ver com os antigos jograisprovençais, e minha parceira nesse investimento fez a diferença(ela é craque em audiobooks: já fez vários, como Morangos mofados,do Caio Fernando Abreu, ainda a ser processado).

Em relação ao que eu fazia no século passado, o audiocardbook éuma evolução na forma de distribuir poesia, e isto deve ser levadoem conta, afinal já fiz o mesmo em CD, DVD, CD-ROM...

Neste sentido, acredito ser importante frisar que a atual poesiafalada, apesar de parecer uma pequena novidade formal, nãodeixa de ser um retorno à poesia da Grécia clássica. No meuentender, a evolução deste blablablá é para o audiovisual e para asperformances... pelo menos é nessa direção que estou seguindo. E opróximo cardbook será para baixar... vídeos! Performances ao vivo,como a que vocês filmaram na Livraria da Travessa, deverão estardisponíveis. Sobre as muitas opções e vetores que dão consistênciaao audiocardbook, recomendo as entrevistas dadas a João José deMelo Franco, a feita para a Textual.

Na década de oitenta você já fazia no palco experimentos com vídeo,como o Warhol TV e o VT-Jam-TV. Fale um pouco sobre eles. E hoje, jápensou em um Warhol-Tube (com uns minutinhos de Warhol e tudo)?

O Warhol TV foi um experimento e tanto, com pessoas como JorgeMautner, Paula Gaetán, Celinha Azevedo, Júlio Barroso, Cazuza(antes de ser cantor), Danielle Daumerie, Romi Witti etc. Eramcuts de textos aleatórios filmados em aparelhos de VHS antigos...Naquele troço em que havia a câmera, um amplificador de sinal eum gravador (três peças separadas, cheias de fios e cabeamentos –pesando uma barbaridade). Eu ia na casa das pessoas e filmava semsaber o que iam dizer. Essa bagaça acabou se perdendo em mudançasou mofando. Sobraram alguns takes, como um imprevisível Psychotape com Marcos Medeiros. Eram protótipos de video-art, comlinguagem fragmentada e montagem aleatória; a maioria no estiloONE cam ONE shot.

Em 1979, apresentei-me do Instituto Goethe de Porto Alegre comuma espécie de stand-up poético denominado KaleidoskOPIUM,em que contracenava comigo mesmo num aparelho de TV oferecidopela Sharp. A plateia assistia àquela coisa meio psicose, meioesquizofrenia, meio que sem saber o que estava acontecendo, masacabaram comprando os meus livretos e me ajudando a passar umasemana na cidade. O que eles nunca souberam é que, para apresentara tal performance, tive que fazer uma sessão privée para a Censura,à tarde. Uma cena surrealista: eu e duas senhoras gordinhasno teatro vazio. Por incrível que pareça, elas entenderam tudo,gostaram e ainda foram ao show (provavelmente porque perceberamque eu fazia tudo na base do improviso e foram lá checar se otexto que ouviram antes era o mesmo).

Em 90, fiz o mesmo em São Paulo, na Hong-Kong, boate do meuamigo-irmão Júlio Barroso, com microvídeos estrelados por AlicePink Pank, May East, Paula Gaetán e Daniele Daumerie. Tudomontado pelo pessoal do Tadeu Jungle. Repeti isso em várioslugares. Hoje, com tanta tecnologia disponível, é uma África fazeralgo assim.

Com Jodele Larscher e vídeos de Alexandre Aguinaga, fiz uma intervençãorecitando um poema cirúrgico no meio de uma música deRobertinho do Recife, na Funarte, durante o Projeto Pixinguinha.Um jornalista, falando a respeito do show no jornal, disse: “Eu nãosabia se olhava a garota fazendo strip nos televisores empilhadosao lado do palco, se escutava o poema do poeta ou se a guitarra doRobertinho, pois o que acontecia era uma confusão completa”. Fatoé que, por conta das garotas fazendo strip, a censura exigiu a retiradados televisores do palco!

Tenho trabalhado muito com audiovisual, registrando minhas performancesao vivo e as de amigos que julgo importante documentar,como pode ser checado nos meus canais do You Tube.

E a Mijada paulistana, como foi? Continua de ressaca dela?

Foi uma mijada, mas, se quiser, pode chamar de cagada, porque deuuma merda grande.

Foi um Poema-Terror de alta performance.Durou quinze segundos e foi devastador. Jamais esquecerei osilêncio da plateia diante do ato violento e, de alguma forma,obsceno.

Não houve planejamento nenhum. Senti vontade de urinar, procureium banheiro e acabei entrando por um acesso aos bastidores.Lá, percebi que o palco, que estava sendo preparado para a NuvemCigana, tinha apenas um canhão de luz ligado num ponto lateral,próximo de onde eu me encontrava. Dirigi-me ao ponto preciso,pus o pau pra fora e urinei sob a luz do holofote, sem cerimônia.Vi que um fotógrafo preparou sua câmera e, como podia controlar oreflexo da luz nos óculos de esquiador que usava, projetei tal reflexoo mais próximo que pude da lente dele, afim de não ter meu rostoflagrado e identificado. Depois do ato, o silêncio foi quebrado poruma balbúrdia. Havia quem gritasse que era provocação da direitapara interromper a boa vontade do regime militar em deixar aquelefestival acontecer. Deu a maior merda. Cercaram o teatro com tropade choque. O Sábato Magaldi, que era diretor do teatro, foi demitido.Saiu na Veja assim: um ato de exibicionismo infantil!

Depois disso, acho que me identificaram e começou uma perseguiçãoque me levou duas vezes à prisão. Numa, fiquei numa cela com oTaiguara (que me ajudou a sair quando deu seu depoimento a umsargento – sei lá o que ele disse, mas, antes de sair da cela, disse queia me tirar daquela fria); na outra, acabei saindo do DOPS, em SãoPaulo, porque literalmente me esqueceram numa sala. Fiquei lá porumas cinco horas e ninguém apareceu; aí, por ironia do destino,quis urinar e resolvi abrir a porta e perguntar onde era o banheiro...Um careca carregando prontuários indicou-me o andar abaixo,dizendo que o daquele setor estava sendo consertado... Desci numaboa... Como percebi que ninguém me dava atenção, desci maisum andar e cheguei a um pátio... Vi a rua e fui em direção a ela,concentrado na certeza de que havia me tornado invisível... Tinhaque cruzar uma roleta de uma recepção onde havia um balcão emque duas pessoas discutiam tão acaloradamente que uma delas atéme acenou um adeus... Não me deram bola... Fui em frente e saí pelaporta da frente, como se nada estivesse acontecendo e realmentenada me aconteceu... Foi pura sorte!

A paixão hoje estáUm de seus temas mais recorrentes é a paixão. A paixão hoje estáabafada pela liberdade sem sujeito?

Antigamente (no século passado), se alguém quisesse chocar umaaudiência, bastava falar de sexo e seus tabus salientes. Até hoje existeaquele grupo retrô que fazia poesia pornô e que o pessoal do funkproibidão pôs no chinelo, e eles hoje, por insistirem no que foramhá trinta anos, são o que há de mais cafona no circuito. Entretanto,apesar das conquistas do sexo livre da era hippie (o que tornou essa atividade física e emocional disponível até para a diversãoessa atividade física e emocional disponível até para a diversãoultrassensorial de toda espécie de psicopatas e serial-killers), hoje,por mais incrível que pareça, com o componente narcísico dandoas cartas e dirigindo a personalidade das pessoas, falar poemasapaixonados produz incômodos ainda maiores; mas o sujeitoque está assistindo tem que perceber que você está flexionandoos verbos disponíveis (amar, apaixonar, por exemplo) de formaconsistente e não como um cara cantando uma valsinha sertaneja.Na verdade, a paixão é o motor que move a montanha. Sem ela,nem Guevara iria para a guerrilha. É a paixão que compromete afilosofia platônica. Olhe à sua volta e veja quem realmente estádisposto a ficar apaixonado e correr os riscos que isso implica...Recentemente, fiz uma experimentação extremamente perigosapara os parâmetros pós-modernos: apaixonei-me perdidamentepor uma pessoa muito minha amiga. Fiz dela uma musa parapoemas que vivenciei verso a verso, dentro de um programa que eusabia ter pontos em que o controle seria perdido e as consequênciaspoderiam ser seríssimas. Com tal experimento, criei uma trilogia delivretos especiais (na forma em que o texto se apresenta no livro –ilustrado por outros textos ou fotos) na qual tentei vivenciar umapaixão como se fosse uma verdadeira obra de arte em curso, umabsurdo platônico a toda prova, misturando discurso filosófico compoético de uma forma surpreendente.

No primeiro volume (Facebook), tratei do encanto que a paixãoproduz; no segundo (Uma paixão inventada), registrei emversos o que se costuma fazer sob as dádivas e angústias desseencantamento; e, no terceiro (Sólida solidão), tive que suportar aconfusão neurológica, a dor das mágoas irremediáveis e o desesperodo desencanto. Digamos que, a partir desse experimento e seus derivados físicos, possamos refletir sobre sua questão: você nãoderivados físicos, possamos refletir sobre sua questão: você nãose apaixona porque quer nem por quem quer; você só se apaixonaquando se sente livre e se oferece oferecendo liberdades a alguémpor quem a paixão lhe deixa encantado.

Com as liberdades atuais, abundantes e individualistas, mais alimentadaspelos caprichos do ego do que pelos instintos que o transtornam,o que havia de substrato proibido virou um ingredientebisonho de um acontecimento banal e a transgressão, quando não éperversa e violenta, acaba se apresentando como uma situação corriqueira,sem desafios, sem tensão e, sob certo aspecto, sem graçaalguma. Apaixonar-se nestas circunstâncias torna-se um exercíciobesta, quase que psicótico. Dizem que quem ainda tenta fazer issodeve estar querendo enlouquecer ou enlouquece tentando obterfeedback de sentimentos pelos quais não vão lhe oferecer nadaalém de um prazer imediato, minimalista e extrassensorial (e ummonte de aporrinhação). Maio de 68, com sua famosa tese de queo orgasmo é a única solução, acabou diluído e fragmentado num 69praticado por casais gays ávidos por se casarem de véu e grinaldanas igrejas, com direito a AIDS com viagra e o resto que se foda...Ou, pelo menos, o que sobrou desse tempo de alerta geral virou umamensagem tipo Sorria, você está sendo filmado para as galerias enfadonhasdos pornotubes cibernéticos. Os moderninhos alforriadosdas ditaduras passadas ligaram generosamente o foda-se e avisaram:“Se liga, mano... encha a cara de cerveja e tente fuder alguém ou algumacoisa, nem que seja a distância, pela tela de um computador”.Pobre Narciso: neste mundo individualista e competitivo,estimulado a ter seu ego no comando da personalidade e submeteros valores éticos do seu caráter às oportunidades, não se apaixonamais por sua imagem no lago; agora quer desesperadamente que o outro se apaixone por ela, a imagem, e chega a não se reconheceroutro se apaixone por ela, a imagem, e chega a não se reconhecermais no que vê num espelho, só para acreditar que existe um outro,do outro lado, que deve se apaixonar pela imagem que ele vê e naqual não se reconhece.

Como essa liberdade sem sujeito cria a arte sem artista e o artista semarte, como você diz?

O pós-modernismo, sob uma ótica bem pessimista (podemos chamarde grunge, se quisermos), é uma desgraça instalada. Esse assuntodá um texto infinito e muito pano pra manga. Vou reduzirassim: é como se Gregor Samsa (o sujeito que vira barata na Metamorfose,de Kafka) de repente saísse do armário que GH (de A paixãosegundo GH, de Clarice Lispector) abriu no quarto da empregada eacabasse tendo por destino a oportunidade de ser esmagado com aporta sendo fechada.

O clima de liberdade que o neoliberalismo instituiu (liberdade demercado que se apropriou de todas as outras em detrimento desuas especificidades) cobra do sujeito que o usufrui uma espécie decidadania útil, hiperindividualista e dependente do que ele oferecee recebe do mercado. Se o mercado afirma que tem pelo menos umproduto para satisfazer quaisquer que sejam os seus desejos, ondevocê vai encontrar o que não deseja? Dentro de si mesmo?Por incrível que soe, o mundo sartriano está de volta às avessas.Já existe até quem aposte que... o existencialismo é zen. A famosanáusea, para desespero de Heidegger, acabou virando uma experiêncialimítrofe para o ser compreender a liberdade sem ter quedesejá-la como prioridade essencial.

Repare as coisas que estamos tendo que aceitar ao nosso redor paranão nos desgarrarmos da sociedade: a novidade é sempre mais domesmo. O novo é redundante. A cópia faz mais sucesso e é maisbem aceita e desejada do que o original. Não é recomendável terreferências do passado: é daqui pra frente, em direção ao nada.Se antes o Ser precedia o Nada, agora é o Nada que o precede eo atualiza incessantemente. Não tem mais nenhuma revoluçãoque faça a diferença: o que muda muda sempre para pior (videos políticos em campanha). Neste ambiente, onde o labirinto édisponível para todos, a arte se tornou mera ferramenta utilitária;embora ainda exista quem se espelhe na linhagem dos Tungas eestejam surgindo novos Josef Beuys... o Márcio-André (rsrsrsrs).A liberdade que se espalha na média/mídia é uma vertigem numabismo sem fundo. Uma forma emocional violenta que vai levaro sujeito livre à angústia de não compreender a metafísica nempraticar as charadas dialéticas – o que vai criar uma guerra semprecedentes, na qual o sujeito não saberá nem de que lado está nempor que está lutando (na verdade, estará apenas se defendendo).Para proteger sua sanidade mental, exposta tanto à esquizofreniaquanto às psicoses, o sujeito é levado a recusar o desconhecidoe a refugiar-se no cotidiano banal, vivendo de forma pública eimpessoal uma existência que ele não se sente capaz de transformarnem de contrariar. Vive-se num mundo prático sujeito ao absurdo,uma instância pragmática que existe gratuita e independente desi mesma, que não poupa ninguém de suas infernais armadilhas.A arte que se esvai de um sujeito que se disponha a fazer uso dessaliberdade inútil, resultante de uma dobra que não para de desdobrarse,é redundante e só tem como prêmio e objetivo final um deleitepessoal para o artista derivado exclusivamente da inclusão social desua obra, ou seja, inclusão no mercado...

Fale um pouco sobre sua relação com a música.

Eu não conhecia a música senão como a mais linda e infantil dasdeusas. Uma entidade divina, além do bem e do mal. Seu milagreé ser universal, entendida em qualquer lugar, até mesmo porquem é surdo. Quando fiz as primeiras letras para as canções queme escolheram, meus versos foram pinçados de poemas publicados,pelo Arnaldo Brandão, meu parceiro e amigo desde 1982...Por causa da “Totalmente demais”, por exemplo, fiquei conhecidocomo compositor e tem gente que acha que toco instrumentose me dá letra para que eu encontre uma música, que a canteno rádio...

Como ponho letra em melodia, gravei com muita gente todo tipode gênero musical, mas, se fosse para escolher um em especial,eu ficaria com a marchinha carnavalesca (tenho muitas – videOs momossexuais, bloco virtual que um dia ainda ponho na ruasem ter que pedir autorização a prefeitura nenhuma). Este estilopermite que meu humor exercite sua eficácia acima da média eme proporcione uma boa razão para continuar gostando de fazermúsica. Esse ano fiz uma inédita (“Acuda mãe”), cantada pelo TicoSanta Cruz. Sucesso? Nada! Necas de pitibiribas! Paciência. O que ficaduro de engolir é o fato de que um gênero que parece arraigadono DNA do brasileiro, sem distinção de credo, raça, idade, sejatratado como algo que não interessa mais. Tudo bem que tem oFestival da Fundição Progresso e que a Globo passe no Fantásticoas vencedoras. (Alguém lembra de alguma delas? Pode ficar frio:sabemos que não... Mas ninguém esquece que o festival existe naFundição... É o que chamam de marketing de marca.)

A música hoje é cada vez mais “para”. MPB hoje é “música para beijar”.Como é a relação de quem faz a música com a “funcionalidade” damúsica? Fale também sobre a ótima história da música que elegeu JuanMaria Sanguinetti, no Uruguai.

A que elegeu o Sanguinetti foi uma versão que os publicitários (essescaras que tomaram conta da gestão eleitoral da melhor democraciaque o dinheiro pode comprar) fizeram para “Sexy Yemanjah”,minha e do Pepeu Gomes, que abria uma novela da Globo (Mulheresde areia), que na ocasião estava sendo lançada no Uruguai. A curiosidadeaumenta porque o jingle deve ter ficado tão bom que elegeuo cara duas vezes, sendo utilizado na disputa para os períodosde 1995-2000 e 2000-2005.

Quanto à crítica sobre o universo musical atual, vou me silenciar, poisfoge ao que interessa nesta entrevista. O que posso falar a respeitojá foi dito nas entrelinhas das respostas anteriores. O que preocupasão os direitos autorais arrecadados, que precisam ser atualizadospara atender à mudança do sistema analógico para o digital –mas esta é uma questão muito delicada e pertinente a outro foro.

"Gosta de poesia?” é a pergunta que muitas vezes ouvimos dos poetasque vendem poesia nas ruas. Você, que sempre viveu isso, acha que asruas de hoje proporcionam uma poesia muito diferente daquela de trintaanos atrás? Que poesia é essa de hoje?

A diferença fundamental é a mudança radical do espaço geopolíticoentre as duas épocas. De 1975 a 1990, lembro-me que saíasistematicamente, todo santo dia, para vender livretos nas ruas,pelos bares. Pagava aluguel, colégio de meus filhos e até viajava; tanto que vendi meus livretos em várias capitais, incluindo uma idatanto que vendi meus livretos em várias capitais, incluindo uma idaa Nova York, em 83. Quando a ditadura e o regime militar acabarame nos brindaram com o presente de grego chamado Collor, eu estavabem como letrista de música e passei um longo tempo sem fazer nadanas ruas. Por puro experimento, retomei esse mercado informal em2000 e 2001, por dois dias em cada ano. Como que por nostalgia,recuperei o mote de sair às ruas e falar com desconhecidos paranegociar meus panfletos, recauchutados pelas novas tecnologias daXerox. Aí, como que por uma contradição fisiológica, percebi queo assédio era mais difícil. Havia pouca receptividade. No começoachei que era a minha idade e algum traço dos sonhos da juventudeque tivesse desaparecido do meu olhar e da minha fisionomia. Aospoucos fui dando forma concreta ao que vivenciava e vendo como omolde do tempo havia substituído as peças do tabuleiro. O hippiehavia dado lugar ao yuppie; LSD virara ecstasy e o que se chamavaimperialismo cultural era festejado como uma manobra econômicasaudável chamada franchising. Para complicar ainda mais, surgiu afigura do segurança de bar bloqueando imperativamente seu assédioaos fregueses, que só devem ocupar aquelas mesas para comergorduras e beber cerveja sem parar, para manter os empregos daAmbev – nada de cultura e arte, como dizem os fãs dos choques deordem. Esse novo empecilho é estrutural e duro de ser enfrentado.Está cheio de contradições perigosíssimas alimentando suasatividades formalmente legalizadas. Assusta, porque esse exército,recrutado à galega, é uma força de ataque funcionando como sefosse um time de defesa do cidadão. Está mais do que na cara queisso não vai dar certo a longo prazo. As milícias são só uma amostrado que vem por aí...

Fora isso, há muita ingenuidade na poesia dos poetas que tentamfazer esse serviço ordinário, se é sob esse ponto que devo fixar aresposta. Gosto de saber que existem poetas assim, mas não sei queutopia os garantirá. É triste...

Além de alguns poetas com competência e textos consistentes,como o Eucanaã Ferraz, para citar apenas um entre muitos novose interessantes – na verdade, cito apenas alguém com quem nãotenho amizade para evitar mencionar amigos e esquecer nomes –,tem muita gente bacana saindo do papel para o palco e para o mundo.Uma lista boa para montar um festival como o Poesia Voa.Ao largo desse grupo em formação, registre-se que os sarausvoltaram a ser o que sempre foram: sinais de festa! Muitos nãopassam de liturgias e funcionam como missas e cultos de igrejas,mas até mesmo nesses sítios caretas estão surgindo bons poetas.O aspecto relevante é que a poesia de hoje, ou pelo menos a quemais salta à vista e a que mais se intercomunica em seu grupo deadmiradores, tem bases performáticas e é falada. Sendo falada,pode ser editada em tempo real, o que é uma novidade e um sinalde vitalidade. Seja como for, o que se está produzindo hoje só serárevelado no futuro, quando o passado que está sendo construídofor atualizado pela história, independente do que está sendoregistrado pela mídia e pelo coro dos contentes.

Um dos detalhes mais comuns da poesia contemporânea que podee deve ser pensado com reservas é o que faz a maioria dos poetasambicionarem dialogar com suas emoções em busca do aplausoimediato. A grande maioria dos versos produzidos e oferecidos nasgandaias dos eventos busca situações românticas ou derivadas deconflitos sociais, articuladas a partir da consciência que cada poeta pratica em suas vivências pessoais no cotidiano, geralmente territorializadaspratica em suas vivências pessoais no cotidiano, geralmente territorializadaspor seu grupo, tribo ou banda. Essa atitude especulativa,originada desde os primórdios da era moderna, tem seu ladopositivo enquanto exterioriza a vida prática e registra o tempo emque ela desenvolve suas forças criativas; porém, quando o verso nãotraz consigo nenhum esforço dialético, o ponto de onde partiu parainiciar sua aventura mágica vai limitar seu evento ao que foi e continuarásendo subjetivo, alienando o poeta do mundo que ele buscaagradar, ultrapassar, modificar ou simplesmente registrar. Não sendototalizante nem pretendendo tornar a realidade uma totalidade,o saldo geral das conquistas realizadas no e sob o mutante tecidodas palavras acaba sendo esvaziado em si mesmo, embora tudo sejajustificado por fatores lógicos e racionais que garantem sua eficáciapaliativa num determinado espaço. Sentimental ou não, todapoesia criada nessas condições fica limitada à metafísica do sujeitoe acaba sendo mais uma ação fenomenológica do que artística.A atualidadeparece carecer de um projeto gestor coletivo e autocríticoque a fortaleça, embora todo mundo tenha um projetinho estruturadodebaixo do braço pronto para ser patrocinado e aceito comouma maravilha generosa, advinda de um dom celestial. A temporalidadede projetos assim acaba sendo burocrática e perfeita para umautômato pôr em atividade, como uma máquina que faz a divisãodo trabalho ser puramente técnica e isenta de procedimentos éticosenvolvidos em sua engrenagem. O problema desse modelo sistematizadocomo um cristal é que, por mais experimental e modernosoque seja, não pode aceitar que o aleatório faça parte do jogo. Isso égrave, afinal a poesia nunca foi de ficar adulando paradigmas e sistemasperfeitos. A riqueza das palavras, quando anda contrastandocom os significados produzidos, pode ser sinal de impotência. O que confunde a produtividade do poeta atual é o fato de que, em verdade,confunde a produtividade do poeta atual é o fato de que, em verdade,ele percebe que não existe mais nada a ser descoberto que nãopossa ser previsto numa pesquisa estatística; ao mesmo tempo quesabe que para um poema, seja ele qual for, tudo precisa ser constantemente inventado.

Meu caro, como você encerraria esta entrevista de modo performático?

Agradando gregos e troianos; ou seja, com uma música feita defragmentos de poesia apresentada numa performance em 1991:


 

Entrevista publicada originalmente em: https://doi.org/10.35520/flbc.2009.v1n1a17332

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